Bolha de Ar

1 de Agosto

Acordo mais cedo do que eu queria e me recuso a sair da cama até o horário que acho adequado. Junta todo mundo para montar a mesa de café da manhã e tirar fotos. Tem briga, porque sempre tem que ter. Corto o bolo e distribuo os pedaços, cada um de um tamanho diferente. Como e fico cheio. As visitas chegam. Começo a escrever um texto.

Ajudo a fazer a salada. Continuo quebrando cabeça com o texto. Almoço depois de todo mundo porque ainda me sinto cheio. Repito a sobremesa porque uma coisa não tem nada a ver com a outra. "Vamos sair daqui a pouco". Daqui a pouco demora mais uma hora e meia. Mudo a ordem dos parágrafos, forço uma metáfora com um conceito que eu não sei se entendo direito, arremato com uma piadinha metalinguística.

Visitamos a casa velha, caindo aos pedaços. Tudo parecia tão maior quando eu era criança. Fazemos planos, de comprá-la e reformá-la, que nunca irão se concretizar. Falamos de problemas que toda família tem. Voltamos para casa e as visitas vão embora. Releio o texto e finalmente entendo o que quero dizer. Acho a conclusão pessoal demais e apago tudo.

Depois de apertar delete, entro numa chamada de vídeo que dura mais de duas horas. Falamos sobre o mundo, e sobre nós. Inventamos teorias malucas. Mudo a conclusão do texto na minha cabeça. Traço pelo menos uma meta, só para não passar em branco.

Nos últimos minutos que restam, posso afirmar: foi um bom aniversário.